Sábado a tarde em AC. Eu, Carioca e uns amigos vamos ao cinema no Shopping.
-A gente podia assistir Cruzadas, né? - sugere um.
-É pode ser sim. - concordam uníssonos os demais.
-Então a gente se vê aqui no hall depois que terminar o filme de vocês, porque eu não assisto Cruzadas no cinema 'nem a pau'! Vou ver "Casa de Areia"...
Agora começa meu post... o primeiro dedicado exclusivamente a um filme! E nada melhor que uma produção nacional! A história do filme (que está em cartaz no circuito desde 13/05) começa muito antes dele começar a ser rodado. Um dos produtores do filme ( e produtor de outros filmes nacionais conhecidos como "O casamento de Romeu e Julieta" - pra que mesmo!- "O caminho das nuvens" curtinho mas muito bonito e com músicas de Roberto Carlos, Bossa Nova, O que é isso Companheiro... e muitos outros! Eu volto a fazer um post sobre cinema nacional tem muita coisa boa a ser assistida e comentada!) Luiz Carlos Barreto numa viagem que fazia ao nordeste, vê uma casa semi soterrada pela areia que tinha sido habitada por duas mulheres, tira uma foto e leva pra Andrucha Waddington, por achar que ele faria um filme ao ver aquela cena. E exatamente isso que acontece. 
O filme é todo rodado nos Lençóis Maranhenses e a história (também passada no Maranhão) começa em 1910 quando Vasco (interpretado por Rui Guerra, que, entreoutros, dirigiu "Estorvo", o asfixiante filme baseado no romance homônimo de Chico Buarque) 'carrega' Áurea e D. Maria (Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, que nunca haviam contracenado juntas no cinema) pra umas terras que ele tinha comprado no intuito de "fazer fortuna". Mas o que seria um sonho acaba virando pesadelo.
Mãe e filha acabam ficando sozinhas (por motivo que convêm vocês mesmos assistirem) na imensidão de areia e sal. "Aqui, o que não é chão é céu" (Ou o contrário, não me lembro).E o que se vê são as 6 décadas seguintes das 3 gerações dessas duas mulheres (que serão 3) revezadas pelas atrizes. (Além de D. Maria e Áurea, temos Maria, filha de Áurea).

Mas não pense que só elas vão existir nesse filme e nem que o filme é só esse draminha. Pessoas passarão a interagir com elas, inclusive um grupo de cientistas que pretende provar a Lei da relatividade de Einstein (que talvez esteja no filme pra dizer pra nós sobre a relatividade do tempo e espaço, que é muito marcante no filme). E o filme em si é muito mais que o próprio drama delas. Muito áspero e seco (o próprio filme nos sugere a paisagem lunar, inóspita e desértica, inclusive quando Áurea fica sabendo que o homem pisou na Lua e que lá so havia areia!). Prima pelos diálogos enxutos, pela falta de música pra fazer a gente chorar, pelo cenário, que no filme acaba sendo personagem atuante e que entreoutros "destina" os personagens, pelas "falas" do 'personagem cenário' (uivos dos ventos, barulho de areia se movendo, chuva...) e principalmente pelas elipses temporais (muito bem marcadas). Sabe o típico filme que nos trata como expectadores pensantes e possuidores de habilidade pra adequar à sua maneira as reticências do filme. Claro que muita gente pode pensar "Mas porque que elas não saíram de lá. Se estivessem no meio do Saara ainda vai, mas no Maranhão...", é! Seria um problema sim, mas eu acho que nem esse descaso tira o brilho do filme.
Além disso vale pelas atuações das Fernandas e de Seu Jorge e Luiz Melodia (que interpretam o mesmo personagem, sendo o segundo, até certo ponto com uma surpreendente atuação, já como o "marido" de Áurea, eu acho).


"Casa de Areia" vale a pena ser visto! Já está na hora de começarmos a dar valor nas produções nacionais, né!
E eu estou de volta... Antes que acabe!